O Hackmeeting é um encontro livre e auto-gestionado que gira em torno da tecnologia, das suas implicações sociais, da livre circulação de saberes e técnicas, da privacidade, da criação colectiva, do conflito telemático. Está destinado a todo o tipo de pessoas que tenham uma mente aberta e curiosa com vontade de partilhar as suas experiências, e que encarem o encontro e a participação na sua coordenação como mais uma dessas experiências livres e abertas. Algumas conversas e workshops podem exigir conhecimentos avançados de informática, outras nem tanto; outras nada têm a ver com informática.

Procuramos explorar fenómenos de “tensão-interacção entre o social, o tecnológico e o político” e “integrar e contaminar mutuamente as pessoas destes campos e aproveitar as sinergias específicas de cada um guardando um equilíbrio instável necessário para fazer surgir o melhor de cada. Na questão interna de quem somos e para onde vamos esta tensão manifesta-se de forma constante e obriga-nos a continuamente estar a repensar e rever as nossas posições.”

Excerto de uma mensagem da lista hackmeeting@sindominio.net, user Azalai

O direito à liberdade de informação e à sua conversão num saber livre é um dos pilares sobre os quais o Hackmeeting sempre assentou. Mas é muito mais do que isso. Este ano em que os enrascados saíram às ruas, em que a indignação tomou conta das praças, em que se aprova uma lei europeia que aumenta a duração do copyright para 70 anos em vez de 50, em que a austeridade, os cortes nos investimentos sociais e os acordos com a troika nos levam às ruas...

Há pois mais que razões para os prazeres de encontrar e pensar, aprender e partilhar. Hackers, hacktivistas, nerds, lurkers, hobbyistas da tecnologia, geeks e outras personalidades friquis, é tudo a pôr a mão na tecla para, bit a bit e ping a ping, implementarmos o Hackmeeting. Entrelacemos os fios do social, da tecnologia e da política para a partir da autogestão de um espaço horizontal fazermos desaparecer a distinção entre quem programa e quem tira partido, entre servidores e clientes nos protocolos da sociedade.

Agora que a cada dia que passa a ideia essencial do software livre parece desaparecer, ao mesmo tempo que as grandes empresas se regozijam com os êxitos do modelo aberto de produção, ficamos admirados com a crescente complexidade dos jogos e aparelhos que nos dificultam mais e mais a sua desmontagem e estudo. Assim, só nos resta dizer:

A vocês, políticos e financeiros do poder, gigantes cansados de carne e metal, nós viemos das praças - origem milenar das assembleias populares - feitas palco eterno de debate, cenário vivo da criatividade dos seres humanos. E é a partir daqui que nos propomos a recuperar novamente o poder que um dia vocês institucionalizaram, burocratizaram e deturparam. Vai ser num instantinho que iremos colocá-lo num ficheiro e lançá-lo à velocidade supersónica de um neutrino a tantas cabeças ressonantes quanto possível, as nossas porque todas são as nossas.

Lançamos arpões embruxados para rastrear as nossas viagens seguindo malhas de redes distribuídas atlânticas, subaquáticas e intracutâneas, ligadas a mares infinitos. Interconectámo-nos com a certeza de que podemos ser mais fortes que as grandes corporações que converteram a nossa privacidade no seu produto. As nossas redes sociais conformam-se de pessoas que convergem em organismos colectivos. Somos máquinas de guerra, somos máquinas de vida coordenando engrenagens sem respeitar as fronteiras estabelecidas, unidos pelo mesmo oceano calmo e enfurecido. Como marinheiras e redeiras digitais sabendo que "a" mar é nossa mãe e amante, ao seu compasso fluiremos.

E neste momento, a esta marejada TAZ chamamos MeigHacks, porque o bit vem cheio de areia, de herbas medicinais!, e o IP teletransporta-nos aos mágicos tempos em que já não é a ciência que nos cura nem a academia que nos ensina. Invocamos todas as magas, meigas e bruxas e com elas brindaremos às redes, às florestas, aos howto's, às wikis, às faqs ancestrais. A todo este mistério que nos leva a envergar, em vésperas da noite das bruxas-digitais, um chapéu de aprendiz para pensar, contemplar e hackear.

Este manifesto foi escrito em conjunto e está publicado na página do Hackmeeting Ibérico

A grelha dos tres dias do encontro: 28,29 e 30 outubro está detalhada no wiki do hacklaviva

O Hackmeeting Porto vai acontecer no espaço da Es.Col.A da Fontinha, do CasaViva, e das Musas, espaços autónomos e auto-gestionados muito próximos.

Morada:
Rua da Fábrica Social, 17 - Porto


Morada2:
Praça Marques do Pombal 167


Morada3:
Rúa do Bomjardim, 998


Propõe uma actividadeDúvidas?
Envia-nos uma proposta de actividade para viva [at] hacklaviva.net ou deixa as tuas ideias directamente na wiki.
As actividades podem ser workshops, apresentações, oficinas, sprints.
Qualquer dúvida estamos no IRC, canal #hv no freenode.
Iniciativa Quem está envolvido
Apanhando a vibração e energia do Hackmeeting Ibérico, que vai acontecer este ano, na Corunha de 21 e 23 de Outubro, e com um empurrão do hackerspace galego Trebelab, avançamos para a organização de um pós-hackmeeting aqui no Porto.
Assim, no fim-de-semana de 29 e 30 de Outubro temos o primeiro Hackmeeting em Portugal.
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CasaViva
Trebelab
Espaço Musas
Meighacks